Em busca dos objetos essenciais

portas

Este ano o meu carnaval foi bem diferente. Ter a casa praticamente sem ninguém e vários dias seguidos de feriado foi a oportunidade perfeita para dar adeus, não à carne, como parece ser o significado da palavra, mas a muitos objetos que estavam tornando minha vida um tanto pesada.

Por não morar sozinha, tudo se concentrou no meu quarto, 16 metros quadrados que abrigam tudo que acumulei durante 25 anos de vida. Lugar onde passo a maior parte do meu dia e que deveria dizer algo sobre mim, e diz: eu não sei o que é essencial pra mim.

Eram tantas coisas (e ainda são), que não dá pra acreditar que a cada 6 meses eu fazia uma grande faxina, me desfazendo de muita coisa. Mas, se pensar melhor, esta limpeza periódica consistia em jogar fora alguns papéis, separar uma quantidade pequena de objetos para doar ou vender e, principalmente, mudar coisas de lugar, aliviando superficialmente o fato de elas estarem intactas por tanto tempo. Dessa vez usei critérios mais rígidos para saber o que iria manter. E assim deixei ir embora dezenas de sacos com papéis, roupas, livros, filmes e tralha, muita tralha.

O feriado acabou e muita coisa ainda estava por fazer. A pilha do “talvez” permanecia alta, com os objetos que mereciam mais uma chance, mas a verdade é que faltou coragem de me desfazer deles. Mesmo com 1/3 a menos de coisas, ainda me sentia rodeada por excessos.

Lendo sobre o tema, conheci um pouco sobre a história do Ryan Nicodemus, um dos minimalistas. Ele usou uma tática muito interessante (e eficiente) para descobrir quais objetos eram realmente essenciais em sua vida: fez de conta que estava de mudança e empacotou TUDO em apenas um dia. Todas as caixas e sacos ficaram separados em um dos cômodos de sua casa, e apenas os objetos que ele precisasse usar durante os dias seguintes poderiam ser retirados. Depois de um tempo, ele notou que a maioria das suas coisas continuava empacotada, e pôde então partir para o passo seguinte: doar, vender ou jogar fora o que se mostrou desnecessário.

Quis muito fazer o mesmo, mas para esvaziar o meu quarto, precisaria de um local para guardar as caixas, o que eu não tinha. Resolvi adaptar: esvaziei estantes, mesas, gavetas, e “escondi” tudo em duas portas do meu armário. Livros, filmes, cadernos e cartas – os objetos que tive mais dificuldade de me desfazer naquela primeira etapa – agora estão fora da visão. Não se passou nem 1 mês e foram menos de 15 objetos que deixei voltar para o lado de fora. Alguns até  devolvi para o armário, ao notar que tirei na intenção de usar e não usei. E para minha surpresa, não tenho sentido quase nenhuma falta do que ficou lá dentro.

Dei a esses objetos guardados o prazo de 1 ano para serem usados. Após esse período de teste, o que permanecer lá dentro terá que ir embora, seja o que for. Pode parecer muito tempo, mas acho que é suficiente para me convencer do que eu preciso realmente. E até lá, já consigo aproveitar a leveza que um ambiente sem entulhos proporciona. Estar no meu quarto e olhar ao redor sem sentir ansiedade, já que tudo que posso ver faz realmente parte da minha vida, é uma das melhores sensações.

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