O quarto ideal

Sempre acreditei que muito do nosso estado de espírito se reflete no ambiente em que vivemos e vice-versa. Nos momentos em que mais me sentia sobrecarregada, meu quarto, local onde passo grande parte do dia, se transformava em um verdadeiro caos. Para reencontrar a tranquilidade interior, era necessário parar tudo e colocar um pouco de ordem na bagunça exterior.

Arrumar os objetos me dava um grande alívio e até um certo prazer, mas eram momentâneos: mal acabava de organizar e já estava tudo bagunçado novamente. Depois de anos nesse círculo vicioso, finalmente percebi que estava lidando de forma superficial com o problema, e que talvez o peso maior viesse de fora pra dentro, e não o contrário, como eu imaginava.

Um quarto, a princípio, é pra ser um ambiente de descanso, introspecção, intimidade. No meu caso, concentro em um só ambiente meus locais de estudo, trabalho, lazer… quase esquecendo a sua função principal. Para agravar a situação, todas as superfícies horizontais (e algumas verticais) do meu quarto se encontravam tomadas por objetos, a maioria sem a menor utilidade nessa minha rotina multifuncional.

Agora sei que todas as tentativas de organização falhavam pois agiam apenas superficialmente. Demorei a perceber que um ambiente sobrecarregado de objetos, ainda que impecavelmente organizado, continuará sendo um ambiente sobrecarregado. Com excessos para todos os lados, minha concentração e meu sono também estavam sendo amplamente prejudicados.

 

room

Gostaria muito de dizer que este é o meu quarto agora. Na verdade, ele pertence ao minimalista Joshua Fields Millburn, e tem me inspirado de uma forma incrível. Sinto uma imensa paz ao olhar para esta fotografia, que já virou papel de parede do meu computador. O meu quarto ideal, mesmo sendo mais que um ambiente de descanso, não precisa de muito além disso. E o melhor de tudo é que esse “ideal” pode se tornar real de uma forma muito simples.