Aceitando a imperfeição deste blog

Embora todas as questões que me motivaram a criar este blog ainda estejam presentes em mim, venho sentindo a necessidade de dar um novo foco para ele. Já não sou a mesma de 3 anos atrás e o universo de assuntos que se “encaixava” no minsumidora parecia limitado demais para o que eu queria escrever. Essa sensação de incompatibilidade teve como consequência o silêncio que mantive durante os últimos 10 meses. No fundo, eu achava que aquela “inspiração” retornaria em algum momento, mas só agora estou começando a aceitar que as coisas mudaram, que eu mudei.

Ao me dar conta dessa mudança, claro que a minha vontade inicial foi de criar um novo blog, com um novo tema, um novo título. Mais uma vez surge este apelo ao novo, ao diferente. É tão mais empolgante começar do zero! É tão boa a sensação de recomeço que as coisas novas nos proporcionam! O problema é que, após passar toda a euforia da novidade, tudo parece voltar àquele mesmo ponto de estagnação… Será mesmo que para mudar, precisamos de algo novo? Como seria viver, se a cada grande problema eu tivesse a opção de nascer de novo? Provavelmente eu seria eternamente um bebê…

Aquilo que é “velho” tem seu valor sobretudo porque tem história. E faz parte dessa história todos os altos e baixos, todas as fases, todas as mudanças. Se alguma vez eu reclamei de nunca ter conseguido manter um blog por muito tempo (acho que venho pulando de um pra outro há pelo menos 15 anos), isso aconteceu principalmente pelo fato de eu nunca ter incorporado as minhas mudanças ao blog, ao contrário: minha primeira atitude era apagar tudo e criar um novo. Com este blog, já passei por uma mudança de nome, que agora já não julgo ter sido tão necessária assim. E hoje, mesmo que seja imensa a vontade de começar do zero, decidi ficar e aceitar as imperfeições e mudanças que fazem parte desse processo de escrita e descoberta pessoal.

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Sobre o desapego e mudanças necessárias

Há algum tempo venho refletindo sobre o conceito de desapego e cada vez mais percebo o quanto ele têm se distanciado, para mim, dessa associação atualmente feita com o destralhar, o famoso declutter. Tenho percebido em mim, e em outras pessoas, que o foco do desapego material têm sido a eliminação de bens, não importando se o consumo continua alimentando este ciclo e nos deixando presos a ele. Afinal, a culpa por comprar algo desnecessário pode ser facilmente amenizada pelo ato de “desapegar”.

Muito tem sido falado sobre este processo de descartar os objetos comprados e pouco sobre formas de lidar com o consumo de forma controlada ou, simplesmente, alternativas para realmente usar o que você já comprou. Por conta disso, o nome do antigo blog, Deixando ir…, estava me parecendo muito ligado a essa ideia de descarte periódico que não faz mais sentido para mim. Reconheço que foi uma fase muito importante, que me ajudou a aliviar de forma rápida grande parte do peso que eu carregava, mas que não foi capaz de resolver a questão central do meu problema.

Muito mais do que deixar o maior número de coisas ir embora, percebi que o que eu necessito de verdade é aproveitar aquilo que eu deixei ficar, além de estar sempre me questionando sobre tudo que eu permitir entrar. O autoconhecimento e o autocontrole não vão ser alcançados se a minha preocupação principal for contabilizar a quantidade de objetos que eu tenho ou o quanto eu destralhei esta semana. A vida não pode se resumir a este constante troca-troca.

Vi pela primeira vez a palavra minsumer no site Miss Minimalist e usar este termo “minsumidora” no blog parece estar mais de acordo com esta minha busca por uma alternativa a ser “consumidora”. Espero daqui para frente continuar refletindo sobre o tema, à procura de caminhos para efetivamente construir esta identidade, que na verdade, precisa muito mais de ações do que de um nome.

Confusão de valores

Se eu desejo estudar mais, posso ter a impressão de que um caderno ou um livro novo vão me ajudar a conquistar este hábito. Mas não são esses objetos que vão fazer de mim uma boa estudante, e sim o meu esforço, a minha disciplina. Pode parecer óbvio, mas essas relações muitas vezes se confundem.

Dedicar-se diariamente ao estudo, tarefa muitas vezes solitária e cansativa, não é tão fácil e não traz uma recompensa imediata. Já os objetos materiais nos oferecem um prazer instantâneo. Embora possam servir como estímulo, por outro lado, eles podem nos desviar do objetivo principal, simplesmente porque ficamos viciados nesta gratificação sem esforço e iludidos de que ter algo nos deixa mais próximos de ser algo.

Se há muito a se fazer, não há conselho melhor do que começar com aquilo que já temos. Porém se somos diariamente bombardeados por lembretes de tudo que não possuímos e precisamos ter, como manter o equilíbrio e focar as energias nos recursos que já estão ao nosso alcance?

Limitar a quantidade de objetos que possuímos é uma opção, assim faremos uma seleção dos mais importantes e poderemos aproveitar o máximo de cada um deles. Se não há um controle do que temos e do valor de cada um desses itens, seja financeiro ou emocional, será fácil cair nas armadilhas de querer sempre algo mais. E passaremos a vida apenas pulando de uma coisa a outra, brevemente estimulados e constantemente insatisfeitos, desperdiçando a chance de construir algo realmente significativo para nós.

Um detalhe importante

Embora às vezes eu tente escrever em um tom mais impessoal ou generalizado, todas as críticas que faço neste espaço se dirigem em primeiro lugar a mim. Tudo gira em torno de problemas que enxergo nas minhas próprias atitudes. Tenho tentado refletir sobre elas para poder agir de forma mais consciente. Sei que estou longe de ser perfeita, sei que não existem fórmulas absolutas, nem algo que seja certo para todos. Estou tentando buscar aquilo que é certo para mim. É duro expor coisas sobre mim que não são tão legais, e talvez por isso eu tenha dificuldade de assumir a primeira pessoa do singular em muitos textos. Sei que é mais fácil apontar os erros dos outros. Mas aqui, busco somente apontar os meus erros, o que já não é tão fácil assim. Ao menos dessa forma tenho a chance de aprender alguma coisa com eles. Tudo não passa de um grande desabafo comigo mesma.

A professora minimalista

professor

Desde que comecei a dar aulas, há alguns meses, venho tentando conciliar duas práticas aparentemente opostas: ser professora e minimalista. Por estar na profissão há pouco tempo, surgiu de imediato uma necessidade de conseguir mais livros, mais materiais, mais planos de aula, para tentar compensar a falta de experiência. Porém, observando outros professores, vejo que esta busca por mais realmente faz parte da profissão, já que ela demanda uma constante atualização.

Por isso, estou em busca de formas de crescer como professora, sem me perder em meio ao excesso de informações e ideias. Para começar, consigo pensar em alguns “princípios” minimalistas que podem ser aplicados à docência, em especial ao que diz respeito ao planejamento das aulas e aos estudos:

  • Aproveitar o máximo dos recursos que eu já tenho;
  • Adquirir novos recursos somente quando houver relevância e tempo para desfruta-los, e não apenas para acumular;
  • Ter atitudes práticas e objetivas quando precisar lidar com o excesso de informações: em pesquisas na internet, por exemplo;
  • Simplificar a quantidade de papel, digitalizando os documentos mais importantes para facilitar posteriores consultas, além de liberar espaço físico;
  • Lidar com as informações e ideias de forma organizada, para poder realmente desenvolvê-las;
  • Utilizar as tecnologias ao meu favor, otimizando tempo e espaço.

Colocar essas sugestões em prática é algo que estou tentando fazer. No momento, tenho muito mais reflexões do que resultados, mas ao menos estou mais atenta às minhas atitudes e escolhas como professora. Espero compartilhar mais sobre este processo nas próximas postagens.

Menos nem sempre é mais

Como etapa inicial na busca por uma vida mais significativa, o aspirante a minimalista dedica uma grande quantidade de tempo a fazer uma limpeza em sua vida. O foco é eliminar tudo que é desnecessário, negativo e que está em excesso. Este primeiro momento envolverá os objetos materiais (e virtuais) que foram acumulados ao longo da vida, mas logo se tornará necessária também uma reavaliação de outros aspectos não palpáveis, como os compromissos, os relacionamentos, os sentimentos.

Algumas pessoas, talvez, se percebam presas nesse processo de desapego e desprendimento. Embora seja um processo de uma vida inteira, já que trata-se de um estilo de vida, transforma-lo em uma obsessão em diminuir, editar, simplificar, minimizar, faz com que ele perca o seu objetivo fundamental.

Simplificar não significa deixar sua vida vazia, e sim abrir espaço para as coisas que você realmente deseja.

(Leo Babauta)

Ninguém busca uma vida vazia, mas se todos esses esforços se restringirem a alcançar o mínimo, a eliminar cada vez mais, logo já não restará mais nada. O objetivo de simplificar não deve se limitar ao ato em si, vai muito além. Ele deverá ter um impacto direto na vida diária, que agora poderá ser preenchida de forma muito mais consciente e significativa. Claro, não é uma tarefa simples refletir sobre os valores e sentidos de uma vida. Mas sem este exercício, todo o espaço (e tempo) que se abriu terá sido em vão.

Por isso, após este período mais intenso – e necessário – de faxina na vida, vamos passar menos tempo com as nossas gavetas e armários e mais tempo com nossas prioridades e sonhos.

Ir ou ficar?

barquinho

Toda mudança exige tempo e reflexão, e escrever em um blog parecia ser uma excelente forma de organizar as ideias e registrar o processo. Foi o que me motivou a iniciar o “Deixando ir…” em 2013. Porém nesses muitos meses que se passaram, apareci por aqui apenas sete vezes. O minimalismo deveria vir como tema e não como quantidade de posts…

Ao pensar sobre o futuro desta página, percebi que, a curto prazo, seria mais fácil considera-la um fracasso e simplesmente apaga-la. Mas não faz sentido se ainda tenho vontade de escrever e se o tema escolhido ainda está tão presente na minha vida. Diante das minhas expectativas, eu falhei, mas erro maior seria desistir, quando há tanto ainda a explorar e a aprender!

O fato é que ainda não consegui desenvolver o hábito de escrever, e a escrita se torna bem mais difícil quando temos que lidar com nossas falhas e dificuldades. Mas sem este esforço, deixarei ir embora a oportunidade de exercitar a autorreflexão que tanto preciso. Sem a ajuda deste blog, talvez nem os sete textos, que antes desvalorizei, teriam sido produzidos.

Finalizada a reflexão de hoje, que nem aconteceria se eu não tivesse sentado para escrever, está claro que preciso deixar ficar…