Somos leitores ou compradores de livros?

Algumas pessoas expressam seu consumismo em roupas, outras em eletrônicos ou em produtos de beleza. Comprar livros parece estar em uma categoria neutra, afinal, que mal há em “investir” nos seus estudos ou na sua formação intelectual? Ler é cultura, ler é conhecimento, ler é diversão, ler é cult. Mas será que nossa vida de leitura se equipara às nossas idas à livraria?

Amamos os livros, amamos o cheirinho do papel, amamos o design das capas. Adoramos sair com uma pilha de livros pesados nas mãos, encenando o lado árduo do conhecimento. Amamos ver nossas casas enfeitadas com esses objetos enfileirados, dando um ar intelectual ao ambiente. Mas será que amamos a leitura? Será que amamos a democratização dos livros?

Parar, sentar e ler um livro está se tornando uma atividade cada vez mais rara. Exige tempo, exige frequência. Comprar é bem mais fácil e rápido, nos dá uma gratificação imediata. Nos sentimos de certa forma mais inteligentes se saímos da livraria com uma sacola cheia. Ter uma prateleira lotada de livros em casa, nos dá uma aparência de leitores assíduos. Mas, passado um tempo, os livros empoeirados e amarelados talvez sirvam apenas como um lembrete visual de tudo que não lemos ou deixamos pela metade.

É certo que não conseguiremos ler todos os livros que desejamos. Mas tentar amenizar essa frustração comprando muitos livros, certamente não resolverá o problema. E se é limitada a quantidade de livros lidos em uma vida, muitos deles só vamos ler uma única vez. Então porque gastar tanto dinheiro e espaço com livros que dificilmente serão relidos? Com exceção dos que usamos para consulta ou aqueles que servem de guia para nossas vidas, portanto estamos sempre relendo, o livro se tornou um item quase descartável. Isso porque, após lidos (ou nem lidos), não temos coragem de recicla-los ou de passar adiante: empilhamos esse lixo intelectual com orgulho e egoísmo em nossas paredes.

Podemos ficar tentados a comprar ou a manter livros parados, para o caso de precisarmos deles no futuro. Mas a verdade é que não ter um livro não significa que ele ficará de repente inacessível. Até mesmo livros com edições esgotadas podem ser encontrados em bibliotecas ou  em sebos (e até online). E se, um dia, um determinado livro se tornar extremamente necessário, temos o privilégio de poder ir até uma livraria e comprá-lo. Antecipar a compra à necessidade é o mesmo que transferir o item da prateleira da loja para a prateleira do quarto.

Os livros ainda são artigos de luxo. E se realmente amamos a leitura, vamos usar nossas economias e energias para realmente ler e fazer aquele livro ser acessível ao maior número de pessoas. Se não conseguimos resistir à compra de um livro novo, que o consumo tenha mesmo uma utilidade, em vez apenas mascarar nossas reais necessidades. E que o livro, após lido, possa ser emprestado, trocado, doado, e não apenas usado como mero enfeite na parede, vigiado a unhas e dentes.

ILUSTRAÇÃO DE JO ASKEY, VIA SITE
Anúncios

Começar com pouco

Quando começamos a criar um novo hábito, normalmente estamos cheios de motivação e energia, o que pode ajudar bastante a dar os primeiros passos. O grande problema é começar em um ritmo acelerado demais e depois não conseguir mantê-lo, principalmente quando aquela empolgação inicial começa a diminuir. E como o hábito se faz pela constância e não pela quantidade, todo o esforço acaba sendo em vão.

O menor passo que você pode dar é o melhor jeito de começar.

(Leo Babauta)

Por isso, um dos conselhos mais importantes do livro Zen Habits, de Leo Babauta, é começar com pouco. Ele compara a nossa mente a uma criança pequena, The Childish Mind, que sempre usa todas as desculpas para ficar longe do desconforto. Se eu desejo criar o hábito de escrever e me proponho a começar com meia hora por dia, terei que enfrentar uma luta diária com essa minha mente infantil, que tentará me convencer a fazer qualquer coisa, menos escrever.

Mas há uma forma de dribla-la: basta fazer a nossa tarefa diária ser ridiculamente fácil de se realizar, assim, dificilmente cairemos na tentação de procrastinar. Em vez de 30 minutos, comece com apenas 2, por exemplo, assim não haverá desculpa, e as chances de manter o hábito ao longo dos dias serão bem maiores.

É importante também respeitar os seus limites e saber a hora certa de aumentar a “dosagem” diária. Naturalmente, com o tempo, você se sentirá confortável para escrever muito mais do que 2 minutos, mas aumente também aos poucos, afinal não queremos irritar facilmente a nossa Childish Mind. Aprender a observar a nossa mente nesses momentos mais infantis será também parte essencial dessa nova rotina.

Então, pergunta o autor, qual o menor passo que você pode dar para começar?


ESTE POST FAZ PARTE DE UMA SÉRIE SOBRE O LIVRO ZEN HABITS, DE LEO BABAUTA.
ILUSTRAÇÃO DE ANGELA VANDENBOGAARD, VIA SITE

Livros ou Ebooks: eis a questão

Tirinha

Livros e ebooks: duas experiências diferentes, com a mesma finalidade: a leitura. Mas, do ponto de vista de aproveitar o máximo de uma obra, qual dos dois oferece mais vantagens?

Livros (em papel):

  • Experiência física de leitura, que envolve textura, cheiro, além do aspecto visual;
  • Disponível em diferentes formatos, tamanhos e designs;
  • Não precisa de bateria para funcionar;
  • Podem ser usados como objetos de decoração (embora ocupem muito espaço físico);
  • O livro, como objeto, pode ser uma obra de arte;
  • Vasta opção de títulos para compra, novos e usados;
  • Podem ser encontrados gratuitamente em bibliotecas;
  • É possível emprestar livros e pegar emprestado de amigos;
  • Após lidos, podem ser doados, trocados ou vendidos;
  • É possível destacar os trechos favoritos, fazer anotações nas margens.

Ebooks:

  • Experiência digital de leitura, em sua maior parte apenas visual;
  • Alguns ebooks vêm em formato interativo, com áudio e vídeo acompanhando o texto;
  • Não ocupam quase nenhum espaço físico e sua leitura pode ser feita em dispositivos leves e portáteis;
  • Maior acessibilidade a títulos em outros idiomas;
  • Função dicionário integrada na maioria dos leitores;
  • A compra de novos ebooks é online e a entrega é praticamente instantânea;
  • É possível encontrar rapidamente um trecho específico através de busca por palavras-chave;
  • Não ficam com as páginas amareladas, nem juntam poeira e ácaros;
  • Alguns leitores permitem destacar trechos e fazer anotações;
  • Oferecem mais facilidades para quem quer publicar de forma independente;
  • O valor dos ebooks costuma ser mais barato do que o de livros novos em papel.

Concluo que ambos oferecem vantagens únicas e uma experiência de leitura (ainda) não é capaz de substituir a outra. Para guiar a minha escolha entre essas duas opções, além da questão do preço, tenho levado em conta alguns critérios:

  1. Se é um livro que provavelmente lerei apenas uma vez, caso não o consiga em uma biblioteca ou emprestado com alguém, posso compra-lo em papel (novo ou usado), assim, ao terminar a leitura, tenho como doar para uma biblioteca ou vender para um sebo.
  2. Se o livro é uma obra de grande importância na minha área de trabalho ou estudo, certamente farei várias leituras e consultas. Dessa forma, é mais prático tê-lo em versão digital, principalmente se são livros pesados, com muitas páginas. E a função de busca por palavras-chave em um PDF, por exemplo, facilitaria bastante as minhas pesquisas.
  3. Se estou falando do meu livro favorito, aquele que já li mais de uma vez por prazer e faço questão de indicar para amigos, o mais interessante seria ter uma cópia física, para poder fazer anotações e marcações à vontade, sentir o toque e o cheiro do papel. E também para poder empresta-lo. Já passei pela situação de querer muito que alguém lesse um livro importante para mim, mas não pude empresta-lo, já que eu só tinha a versão ebook.

O importante é, dentro das necessidades e escolhas de cada um, fazer com que o livro tenha uma maior vida útil possível, seja fazendo a cópia em papel passar adiante, ou a sua versão digital ser realmente desfrutada. Ainda que fiquem lindos em estantes de parede ou bem organizados em pastas de computador, os livros foram feitos para serem lidos.

Uma mudança de cada vez

Escrever...

Uma mudança, para ser definitiva, exige dedicação, energia, motivação. E temos porções limitadas desses recursos na nossa vida diária. Logo, para termos mais chances de sucesso, devemos nos focar em uma mudança de cada vez, concentrando todos os nossos esforços para que ela realmente se concretize.

Se desejamos muitas coisas ao mesmo tempo, Leo Babauta compara esta situação a um pequeno quarto lotado de objetos: dentro dele, não sabemos a que dedicar a nossa atenção e não há real espaço para nada. Agora se temos um quarto com apenas um objeto, uma escrivaninha, por exemplo, será fácil dedicar nossa total atenção ao ato de escrever.

As longas listas de ano novo raramente viram realidade, em parte por serem longas. Começamos o ano com nosso pequeno quarto cheio, não apenas de boas intenções. Mal chega fevereiro e o mais provável é que, saturados, já tenhamos colocado todos esses objetos longe da visão, em um caixa com a etiqueta “Um dia…”. Mas se você se rege pelo calendário, boa notícia: o ano está apenas começando. Muito ainda pode ser feito em 2015, desde que você se concentre em uma mudança de cada vez.

O que escolher primeiro, segundo o autor, não importa muito. Apenas comece! Afinal, se tiver paciência, com o tempo você conseguirá alcançar todas as mudanças que deseja. Mas, como eu não consigo fazer uma escolha aleatória, resolvi seguir outra dica dada por ele no livro The power of less (Quanto menos, melhor): escolha aquilo que trará mais impacto à sua vida neste momento.

Se ainda houver resistência quanto à regrinha de escolher apenas UMA coisa, pense nas mudanças que você desejou fazer nos últimos anos e analise quais você conseguiu e mantém até hoje. Se foram poucas ou nenhuma, acredito que terminar 2015 com UMA mudança, já será um grande avanço!


Este post faz parte de uma série sobre o livro Zen Habits, de Leo Babauta.

Dominando a arte da mudança

Zen Habits Book

A quantidade de coisas que desejamos melhorar em nossas vidas pode ser apontada rapidamente em uma longa lista. E no meio de tantas coisas a mudar, o maior desafio é encontrar tranquilidade e disciplina para realmente conseguir alcançar algo.

Leo Babauta, em seu novo livro, Zen Habits: Mastering the Art of Change, dá valiosas sugestões para que nossas chances de sucesso sejam maiores. Selecionei algumas delas, que talvez não sejam novidade para muitos, mas se tornam poderosas quando seguidas em conjunto e gradativamente:

  1. Focar-se em apenas uma mudança de cada vez;
  2. Começar de forma ridiculamente fácil, assim será muito difícil falhar;
  3. Aproveitar algo que você já faz diariamente como gatilho para o seu novo hábito;
  4. Comprometer-se a cumpri-lo todos os dias, tendo em mente os benefícios que ele trará para você e para as pessoas importantes na sua vida;
  5. Encontrar um parceiro de hábito ou de contabilidade;
  6. Estabelecer recompensas e também algumas consequências negativas, caso não o cumpra;
  7. Transformar o próprio hábito na recompensa;
  8. Ser curioso sobre a realidade do hábito e apreciá-la, estar presente;
  9. Fazer uma revisão semanal, refletindo sobre os seus altos e baixos;
  10. Ver as dificuldades e erros como oportunidade de aperfeiçoar a sua prática, não de desistir;
  11. Não focar nos resultados, mas na intenção, no processo;
  12. Não deixar de cumprir o hábito por 2 dias seguidos;

O conteúdo do livro vai muito além. Cada dica vem acompanhada de exemplos, reflexões e até metáforas. A estrutura é bem didática, e ao final de cada capítulo, há uma pequena missão para o dia. Assim, nada fica apenas no campo da teoria, você já começa a ler o livro praticando. E, aos poucos, vai criando as bases que sustentarão o seu novo hábito.

Estou escrevendo um pouco mais sobre os pontos listados acima, não só para me ajudar a compreender melhor cada um deles, mas para compartilhar um pouco deste trabalho tão rico e necessário. Após anos de tentativas frustradas de mudar algo na minha rotina, com a ajuda do livro, já estou observando alguns avanços. Este post é resultado disso, pois o hábito escolhido por mim foi o de escrever. Porém, só à longo prazo poderei dizer se realmente foi algo duradouro.

P.S.: Tenho também uma relação especial com este livro. Ele foi produzido de forma independente, através de uma campanha no Kickstarter. Foi a primeira vez que contribuí e fiquei super feliz com resultado.