Qual o papel de ter tanto papel?

A batalha para me livrar do excesso de papel ainda está longe de ser vencida, mas a cada pequena vitória estou aprendendo um pouco mais. Embora seja um material facilmente reciclável, percebi que havia um grande desperdício dele na minha vida diária. Aos poucos, estou encontrando algumas soluções para reduzir a entrada e saída de papel, sem deixar de aproveitar o que ele tem de melhor a oferecer.

De forma resumida, estou migrando os seguintes itens para o digital:

  • Cadernos: concentrar o uso de cadernos no Evernote, tendo também, para os estudos, um caderno físico para anotações, e para o dia-a-dia, um bloquinho de notas para levar na bolsa. Ambos posteriormente digitalizados, para facilitar consultas.
  • Agendas: organização totalmente digital, com o auxílio de aplicativos de calendário e de lembretes.
  • Contas e boletos: pagamentos online, uso de débito automático sempre que possível; boletos salvos em PDF, economizando a impressão.
  • Comprovantes e recibos: quando necessários para algum controle ou consulta, devem ser digitalizados imediatamente, ou recebidos diretamente em formato digital, como a nota fiscal eletrônica.
  • Exames médicos: quando possível, recebidos em versão PDF, e os de papel, após mostrados ao médico, também são digitalizados.
  • Manuais de instruções: em vez de ocupar espaço com o que raramente será lido em papel, usar a versão em PDF vai facilitar a busca por uma informação mais específica.
  • Cópia e impressão de textos: evita-las, tentando conseguir primeiro o arquivo digital. Quando não é possível, caso seja preciso manter esse material após seu uso, optar pela digitalização.
  • Fotografias: digitalizar as fotos mais antigas é algo importante não só para economizar espaço, mas para preservá-las. E se depois desse processo for difícil joga-las fora, talvez uma alternativa seja criar um único álbum ou scrapbook com as preferidas.

Agora, para aproveitar o melhor da experiência do papel, mantive:

  • Diários pessoais: para uma escrita mais livre e independente da tecnologia: uso em papel. (Ainda sou muito apegada aos meus diários antigos, mas pretendo encontrar uma forma de digitaliza-los, já que são muitos).
  • Cartas: escritas tradicionalmente em papel. As cartas recebidas são mantidas na forma física, mas digitalizadas após um tempo.
  • Revistas: embora já seja possível a leitura de algumas em formatos digitais, as revistas em papel, em especial as antigas, são ótimas para recortes e colagens.

E, por enquanto, alguns itens são válidos apenas em papel, mas é sempre útil ter uma cópia digital:

  • Documentos
  • Diplomas
  • Certificados

OBS.: Sobre livros e ebooks, escrevi mais aqui.

A proposta não é sair digitalizando tudo que aparecer pela frente, afinal, um excesso de arquivos também é difícil de administrar. Como o processo de digitalização e organização é lento, isso naturalmente nos ajuda a fazer uma seleção daquilo que vale mesmo a pena manter.

No final das contas, consigo perceber mais claramente os itens que me trazem mais prazer quando os uso em papel e aqueles que apenas se acumulam em pilhas, pastas e caixas. A digitalização é uma opção para aquilo que é importante manter e encontrar facilmente, mas o ponto principal é rever aquilo que temos, definir o que realmente precisamos e nos dá satisfação, e controlar a entrada da papelada desnecessária.

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Livros ou Ebooks: eis a questão

Tirinha

Livros e ebooks: duas experiências diferentes, com a mesma finalidade: a leitura. Mas, do ponto de vista de aproveitar o máximo de uma obra, qual dos dois oferece mais vantagens?

Livros (em papel):

  • Experiência física de leitura, que envolve textura, cheiro, além do aspecto visual;
  • Disponível em diferentes formatos, tamanhos e designs;
  • Não precisa de bateria para funcionar;
  • Podem ser usados como objetos de decoração (embora ocupem muito espaço físico);
  • O livro, como objeto, pode ser uma obra de arte;
  • Vasta opção de títulos para compra, novos e usados;
  • Podem ser encontrados gratuitamente em bibliotecas;
  • É possível emprestar livros e pegar emprestado de amigos;
  • Após lidos, podem ser doados, trocados ou vendidos;
  • É possível destacar os trechos favoritos, fazer anotações nas margens.

Ebooks:

  • Experiência digital de leitura, em sua maior parte apenas visual;
  • Alguns ebooks vêm em formato interativo, com áudio e vídeo acompanhando o texto;
  • Não ocupam quase nenhum espaço físico e sua leitura pode ser feita em dispositivos leves e portáteis;
  • Maior acessibilidade a títulos em outros idiomas;
  • Função dicionário integrada na maioria dos leitores;
  • A compra de novos ebooks é online e a entrega é praticamente instantânea;
  • É possível encontrar rapidamente um trecho específico através de busca por palavras-chave;
  • Não ficam com as páginas amareladas, nem juntam poeira e ácaros;
  • Alguns leitores permitem destacar trechos e fazer anotações;
  • Oferecem mais facilidades para quem quer publicar de forma independente;
  • O valor dos ebooks costuma ser mais barato do que o de livros novos em papel.

Concluo que ambos oferecem vantagens únicas e uma experiência de leitura (ainda) não é capaz de substituir a outra. Para guiar a minha escolha entre essas duas opções, além da questão do preço, tenho levado em conta alguns critérios:

  1. Se é um livro que provavelmente lerei apenas uma vez, caso não o consiga em uma biblioteca ou emprestado com alguém, posso compra-lo em papel (novo ou usado), assim, ao terminar a leitura, tenho como doar para uma biblioteca ou vender para um sebo.
  2. Se o livro é uma obra de grande importância na minha área de trabalho ou estudo, certamente farei várias leituras e consultas. Dessa forma, é mais prático tê-lo em versão digital, principalmente se são livros pesados, com muitas páginas. E a função de busca por palavras-chave em um PDF, por exemplo, facilitaria bastante as minhas pesquisas.
  3. Se estou falando do meu livro favorito, aquele que já li mais de uma vez por prazer e faço questão de indicar para amigos, o mais interessante seria ter uma cópia física, para poder fazer anotações e marcações à vontade, sentir o toque e o cheiro do papel. E também para poder empresta-lo. Já passei pela situação de querer muito que alguém lesse um livro importante para mim, mas não pude empresta-lo, já que eu só tinha a versão ebook.

O importante é, dentro das necessidades e escolhas de cada um, fazer com que o livro tenha uma maior vida útil possível, seja fazendo a cópia em papel passar adiante, ou a sua versão digital ser realmente desfrutada. Ainda que fiquem lindos em estantes de parede ou bem organizados em pastas de computador, os livros foram feitos para serem lidos.